“Vamos à praia!” um dia desses, um final de semana depois desse, quando der, um dia qualquer, a gente merece, tem que descansar. A história se repete parece que indefinidamente com o padrão de nunca se concretizar. Não sei qual conjugação de astros foi que permitiu uma viagem de longos três dias seguidos em um feriado. Em que não era mais calor. Nem frio, em fins de março.

Esses festivais de cinema de cidade pequena são um curioso evento do turismo. No qual você reune pessoas diferentes mas nem tanto entre si, em um espaço que não possui nenhum motivo em especial para ser, realizando uma atividade que ao mesmo tempo é cotidiana ou ao menos comum às pessoas, é também de total estranhamento ao local.

Ignorar a realidade daqueles próximos a mim e sair fazer sozinha uma coisa qualquer no entorno é um desses costumes não racionalizados meus. Me controlo até para que não prejudique minha sociabilidade, mas acaba ocorrendo natural inevitavelmente. Tiradas as coisas do carro, ajeitadas na casa com cara de avózinha [que foi morar em um apartamento apartado com a filha na cidade um pouco mais grande] ignorei, quase que sem querer, o momento de estabelecimento de regras e cronogramas. Encontrei um parquinho desses que a prefeitura não cuida muito, não se importa em vir cortar a grama com tanto afinco mas tem lá uma balança e gangorra que são vez ou outra aproveitados, ainda que enferrujados. Na padaria, um senhor com típica cara de morador antigo da região, comprei uma cerveja e sentei no banco, olhando fixamente para o chão, mexendo na areia e buscando não pensar (e não ter que pensar em não pensar) em preocupações não findas e por continuar do lado de lá da viagem.

Olhando para os lados, meu estômago comprimiu. Em uma daquelas vezes em que temos antes uma reação física de sequer perceber que algo está acontecendo.

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